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Aspectos financeiros da operação de crédito externo para Alagoinhas

Trata-se de uma operação de crédito externo¹ entre a Prefeitura de Alagoinhas e a Cooperação Andina de Fomento – CAF. O valor da operação será de US$ 11,5 milhões.
Os recursos serão destinados ao Programa de Melhoria da Mobilidade Urbana e Socioambiental de Alagoinhas. Prevê um conjunto de ações que visam à melhoria da acessibilidade e mobilidade urbana, recuperação físico-ambiental de áreas degradadas e urbanização de bairros precários.
Os juros aplicados sobre o saldo devedor serão com base na Libor de 6 meses, 1,44306%² + 2,0% a.a. Além dos juros, haverá atualização monetária de acordo com a variação cambial; comissão de compromisso de 0,35% a.a. sobre os valores não desembolsados; comissão de financiamento de 0,85% sobre o montante de US$ 11,5 milhões e gastos de avaliação de US$ 30 mil.
Em relação à variação cambial, trabalha-se com uma taxa de 3,10. Do ponto de vista financeiro, o tomador do empréstimo espera que esta taxa esteja mais alta, pois, quando converter os valores para o Real o montante será maior. Diferentemente no ato dos reembolsos (pagamentos), espera-se que a taxa esteja abaixo de 3,10,
Há previsão de desembolsos em três parcelas, duas no valor de US$ 3,450 em 2017 e 2018 e a última em 2019, no valor de US$ 4,6 milhões. O prazo da operação será de 15 anos, já incluídos 03 anos de carência (prazo para começar a pagar).
Sem dúvidas, do ponto de vista financeiro, foi uma ação estatal ótima, haja vista às taxas praticadas no mercado interno. Também foi importante do ponto de vista da capacidade de investimento do setor público, uma vez que, somente este ano serão acrescentadas às despesas de capital R$ 10,6 milhões, valor este considerando a liberação integral prevista a uma taxa cambial de 3,10.
Tudo o mais constante, além de causar impacto positivo quanto à mobilidade urbana e socioambiental, espera-se um multiplicador positivo na cadeia produtiva ligada à infraestrutura, desde a maior demanda pelos insumos utilizados na execução de serviços, desde a mão-de-obra da mais qualificada a mais simples.
Espera-se que o poder executivo tenha competência na questão legal, sendo célere no arcabouço licitatório e que mostre credibilidade na questão fiscalizatória a fim de corrigir e evitar vícios dos agentes econômicos envolvidos.
Da parte da sociedade civil, espera-se que seja agente ativo neste processo. Participando das audiências públicas, fiscalizando a execução e a escolha das intervenções. Para que no final se entregue um serviço de qualidade, razoável durabilidade, que será pago por todos os contribuintes durante 15 anos.
Givanildo Bispo do Nascimento. Graduado em Ciências Econômicas. Bancário. e-mail: givanildobispo@gmail.com

¹- Parecer nº 48/2017/COPEM/SURIN/STN/MF-DF, de 19/04/2017

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