Pular para o conteúdo principal

Quando o ato de poupar pode virar dor de cabeça

Daí você está com uma pequena sobra de dinheiro, raro nos tempos atuais, e se pergunta: o que fazer? É razoável se pensar entre duas opções: ir consumir ou poupar!
A primeira opção, consumir, vai propiciar um fluxo de benefícios: o ideal é que esse fluxo propicie benefícios crescentes, mas geralmente não funciona assim.
Você cria, ou criam em você, uma necessidade e geralmente alguns bens e serviços se comportam com benefícios decrescentes de saciedade. Não vou generalizar, mas, por exemplo: uma roupa, eletroeletrônicos, certos veículos...a lista é grande! Portanto, sua saciedade um dia esgota e você a renova com a substituição desse bem.
Já o ato de poupar funciona como uma ação planejada para amenizar problemas financeiros no futuro ou suprir uma necessidade, mas que você não tem a disponibilidade financeira suficiente no presente para adquirir.
Daí você vai a um agente financeiro (banco), e escolhe deixar seu dinheiro “guardado”. Claro que o banco não vai deixar ser dinheiro parado. Afinal, dinheiro é uma mercadoria valiosa! O Banco vai emprestar a um que necessite cobrando o que vai te devolver, mais juros, mais o que pretende ganhar de lucro, simplesmente.
Então, já que você não vai guardar em casa, terá que ter um certo incentivo para isso, além do seu desejo de adquirir algo no futuro. E que algo a mais é esse: JUROS!
A velha e conhecida poupança remunera seu dinheiro a cada data de aniversário com uma taxa variável e outra fixa de 0,5% a.m. Nos últimos 30 dias a remuneração total variou entre 0,52% a.m. e 0,58% a.m. Em doze meses a correção nominal foi de aproximadamente 6,5%. Com essa remuneração seu “trocado” dobrará de tamanho a cada 11 longos anos, aproximadamente!
Mas a modernização financeira é rápida que você nem percebe, influenciando o próprio consumismo ao invés de poupar.
Tenho percebido que no ato da abertura da conta, alguns bancos operam da seguinte maneira: emitem um cartão de débito e na embalagem tem o dizer:  “ USE SEU CARTÃO COM CHIP; FACILIDADE E SEGURANÇA PARA SUAS COMPRAS”. Em seguida, emitem outro cartão, agora com a função CRÉDITO, com limite para financiar suas compras de 3 vezes mais o que você tem poupado, no mínimo. E na embalagem tem “ SUA VIDA ESTÁ CHEIA DE VANTAGENS. AGORA VOCÊ JÁ PODE FAZER SUAS COMPRAS E GANHAR PONTOS”! KKKKK.
No débito você não vai poupar e não vai ganhar nada de remuneração, já que usou seu dinheiro durante o mês. No crédito, você pode ter seu dinheiro remunerado a 0,55% a.m. e pagar 10% a.m.
Moral da história. Livrai-nos desse mal!
Givanildo Bispo do Nascimento. Graduado em Ciências Econômicas. Bancário.
e-mail: givanildobispo@gmail.com

Comentários

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

Monitor Fiscal da Prefeitura de Alagoinhas até o 5º bimestre de 2017

O comportamento fiscal da Prefeitura de Alagoinhas, do ponto de vista das receitas, até outubro, foi um pouco abaixo da previsão atualizada para o período. Era para ter chegado neste período com 83,33% da receita realizada no ano, contra 81,39% demonstrado, uma diferença de R$ 6,0 milhões. O total das receitas no período foi de R$ 256 milhões. Os principais impactos foram oriundos da arrecadação de impostos. Se tivesse se comportado em linha com a previsão atualizada, a arrecadação seria de R$ 32,98 milhões, entretanto, a realizada foi de R$ 28,62 milhões. Cerca de 75% das nossas receitas correntes (R$ 189 milhões) são oriundas das transferências intergovenamentais (R$ 188 milhões), compostas, principalmente, do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) e a Cota-parte do ICMS. Detalhe que todo o ICMS gerado no município, apenas 10% voltam para os cofres municipais. Dentre as receitas de capital , aquelas oriundas de operações de crédito, há uma previsão de R$ 6,5 milh...

Projeto de Lei Orçamentária Anual de Alagoinhas para 2018: uma análise das receitas

A peça orçamentária de Alagoinhas para 2018, elaborada pelo Poder Executivo e enviada à Câmara para discussão e votação, estima as receitas em R$ 373,87 milhões. Um crescimento de 18% em relação a de 2017. Dos R$ 58 milhões a mais, R$ 40 milhões (75%) são oriundos das transferências correntes da União, Estado e repasses também da União. As transferências do Fundo de Participação dos Municípios (FPM), representarão mais da metade desse crescimento; passarão de R$ 84 para R$ 108 milhões, crescimento de 28%. As transferências do Estado não passarão de 5% (uma análise bem realista). E os repasses, sobretudo do SUS e educação, crescerão aproximadamente em R$ 13 milhões (crescimento de mais de 30% em relação a 2017). Sou cético quanto a esse crescimento das transferências correntes, sobretudo porque a perspectiva de crescimento do país para 2018 varia entre 2,5% a 3,5% (cenário bem otimista). Não vejo base alguma de crescimento no FPM em 28%! Analisando as receitas de capita...

A INFLAÇÃO OFICIAL E A DA EDUCAÇÃO

É chegada a hora de fazer a matrícula escolar para o próximo ano. Certamente, você se indagou com a correção da matrícula comparada ao reajuste do seu salário. Até outubro, período em que as escolas particulares comunicam o reajuste, a inflação medida pelo Índice Nacional de Preço ao Consumidor (INPC), foi de 1,83%. É bom lembra que este índice é usado para a correção salarial de grande parte das categorias profissionais e que este ano não deve passar de 3%. Há sempre indagações sobre o índice que mede o comportamento dos preços. Vale ressaltar que esta medida é composta por uma cesta de 09 grupos de bens e serviços. O maior peso dentre os grupos é o de alimentos e bebidas , que até outubro, na média caíram 3%. O grupo educação , cresceu 6,95%, diferença de 5,12 pontos percentuais em relação ao índice geral. Significa dizer que terá que reduzir na sua cesta de despesas este percentual de outro grupo para manter equilibrado seu ordenado. Os reajustes, na média, deverão fica...