Pular para o conteúdo principal

Redução dos juros é condição para mais investimentos!

O Comitê de Política Monetária (COPOM), na sua quinta reunião neste ano, decidiu no último dia 26 de julho, de forma unânime, reduzir os juros básicos da economia.
Esta é a quarta redução dos juros neste ano, que eram de 13% e agora chegaram a 9,25% a.a. É uma trajetória de queda perfeitamente compatível com o cenário de preços. Ressaltando que o Banco Central utiliza os juros como variável de controle inflacionário.
As expectativas para a inflação deste ano é que fiquem abaixo da meta estipulada de 4,5%. Pesquisa do dia 21/07/2017 publicada pelo Banco Central, mostra uma inflação de 3.3% para este ano. Com este cenário, supõe trajetória de juros que alcance 8% no final de 2017.
Diferentemente de muitos Bancos Centrais, o brasileiro atua de maneira passiva em relação ao crescimento econômico e o nível de empregos. Tem como missão controlar a inflação do país. Contudo, muitos estudos já demonstraram que a nossa dinâmica inflacionária recente não foi explicada, em grande parte, pela atuação das taxas de juros. A nossa inflação entrou numa trajetória de alta em 2015 e 2016 via repasse de preços administrados. E a queda de meados de 2016 para cá pela baixa demanda, fatores climáticos e nível alto de estoques por parte das empresas.
Deveria o BC ter uma postura mais ativa neste momento de recessão econômica. Sem dúvidas, os juros básicos mais baixos estimulariam os bancos comerciais a aumentarem suas carteiras de financiamentos para empresas. Essas, iriam se deparar com custos financeiros menores e expectativas de retorno maiores. A dinâmica viraria um ciclo virtuoso: menos juros, mais investimentos, maior produto!
É claro que essa dinâmica não acontece de forma automática. Estudos demonstram que o ciclo de baixa dos juros leva até nove meses para se chegar ao consumidor.
Portanto, a autoridade monetária deveria ousar um pouco mais, sinalizando para os agentes econômicos: as firmas e as famílias, uma retomada mais rápida do crescimento econômico.
Givanildo Bispo do Nascimento. Graduado em Ciências Econômicas. Bancário.

e-mail: givanildobispo@gmail.com

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

A dinâmica dos preços em julho

O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de julho foi de 0,24%, houve aumento em relação ao mês anterior, influenciado pelos reajustes de gás e energia elétrica. No acumulado deste ano, o aumento médio dos preços foi de 1,43% e em 12 meses foi de 2,7%. Dos noves grupos que compõem o índice, 7 tiveram aumento este ano, com destaques para a educação (+7,94%), saúde e cuidados pessoais (+7,19%), habitação (+4,6%). Os que sofreram redução de preços médios foram: alimentos e bebidas (-0,66%) e artigos e artigos residenciais. Embora a inflação continue em queda, cremos que esse fenômeno reflete pela menor procura e fatores climáticos influenciando na oferta de alimentos. Aqui na Bahia, especificamente em Salvador, cidade onde os dados foram coletados, a inflação no mês foi de 0,35%, no acumulado do ano foi de 1,66% e em doze meses foi de 2,54%. Dos nove grupos que compõem o índice, oito tiveram aumento este ano, com destaque para educação e plano de saúde. Em doze meses...

Projeto de Lei Orçamentária Anual de Alagoinhas para 2018: uma análise das receitas

A peça orçamentária de Alagoinhas para 2018, elaborada pelo Poder Executivo e enviada à Câmara para discussão e votação, estima as receitas em R$ 373,87 milhões. Um crescimento de 18% em relação a de 2017. Dos R$ 58 milhões a mais, R$ 40 milhões (75%) são oriundos das transferências correntes da União, Estado e repasses também da União. As transferências do Fundo de Participação dos Municípios (FPM), representarão mais da metade desse crescimento; passarão de R$ 84 para R$ 108 milhões, crescimento de 28%. As transferências do Estado não passarão de 5% (uma análise bem realista). E os repasses, sobretudo do SUS e educação, crescerão aproximadamente em R$ 13 milhões (crescimento de mais de 30% em relação a 2017). Sou cético quanto a esse crescimento das transferências correntes, sobretudo porque a perspectiva de crescimento do país para 2018 varia entre 2,5% a 3,5% (cenário bem otimista). Não vejo base alguma de crescimento no FPM em 28%! Analisando as receitas de capita...